Saturday, October 06, 2012




Falta de honestidade intelectual

A propósito da falta de honestidade intelectual de alguns comentadores economistas alinhados com a estratégia de Borges e Gaspar, e sobre o populismo da questão do aumento da TSU: o que esteve sempre em causa foi a transferência do valor da taxa das empresas para os trabalhadores, e não a redução da TSU para as empresas. Esta medida para além da ruptura do ponto de vista de paradigma social (Neoliberal) padeceu aos olhos de todos de muita inteligência na sua estruturação (analise fundamentada dos reais benefícios ou prejuízos) e comunicação (a total ausência de um roadmap com objectivos claros). O Gaspar e o Borges "Hedge Funds" vingaram-se do "populismo" e da "ignorância" (empresários e famílias cidadãos). Veremos o que irá acontecer... Não dou como certo a aplicação deste novo agravamento brutal de impostos, como fundamental para a resolução do endividamento do estado, pois o problema de fundo é outro, bem mais grave e difícil de resolver, o perpetuo abuso de gente "inteligente" sobre os demais "ignorantes", através da falta de transparência e de justiça. Todas as decisões têm consequências e esta terá com certeza (e mais uma vez) a resposta do "populismo" e da "ignorância" das massas, essa gente "reles" com genes de "animal irracional" (onde me incluo), que tem feito obviamente todos os sacrifícios para melhorar a economia. A bem da visão de Friedman, dos seus interessados evangelizadores, e dos grotescos e iluminados economistas académicos de eleição do regime, teremos em breve as consequências, para o bem ou para o mal.

Sunday, September 23, 2012

Modelo: A simulação estocástica

Sobre o modelo de actuação da equipa de António Gaspar (Ministro das Finanças do XIX Governo Constitucional):
Para Sandro Mendonça, professor no ISCTE " na cabeça de António Gaspar (e muito provavelmente Carlos Moedas e o sub-conselheiro-outsider António 'Goldman Sachs' Borges) e na forma como os bancos centrais olham para para a economia, há um cocktail de Milton Friedman com simulação estocástica. Isto é, liberalismo com abstracção matemático-estatística."

Vítor Gaspar e Wolfgang Schäuble - 
Tratam-se de simulações onde se ensaiam mundos abstractos e as decisões que decorrem daquelas simulações não têm por base conhecimento substantivo da economia nem de como ela funciona. Estão, antes baseadas num conjunto de artifícios técnicos aos quais é imputada cientificidade.
O "nosso" Gaspar vem desse mundo teórico e abstracto...

(Analisado e compilado a partir de um artigo da revista Visão por João Paulo Vieira)

"Acabem com esta crise" (Paul Krugman)

Uma das maiores dificuldades de lidar com esta crise é, em primeiro lugar, o facto natural de tanto nós meros mortais, como  Deus Nosso Senhor não percebermos nada sobre de finanças...a menos que nos toquem na carteira (ou se perdermos o emprego).
Outra dificuldade é o poder da mensagem que nos tem sido injectada por alguns, mas influentes politicos, comentadores, economistas, curandeiros e videntes, que "vivemos acima das nossas possibilidades", aquilo que Krugman chama de "narrativa distorcida europeia" no seu livro-manifesto "Acabem com esta crise". Krugman, diz que se trata de um "relato falso sobre as causas da crise que impede verdadeiras soluções e conduz de facto a medidas politicas que só pioram a situação.". Krugman vai mesmo mais longe afirmando que se trata de uma "narrativa completamente errada".
 
Paul Krugman
Krugman afirma que "foi só com a chegada da crise americana à Europa que a dívida pública disparou". Aceita que a Grécia (e Portugal, "embora não à mesma escala") incorreu em "irresponsabilidade orçamental", mas refuta claramente a "helenização" do problema europeu. "A Irlanda tinha um excedente orçamental e uma dívida pública reduzida na véspera de deflagrar da crise. A Espanha também tinha um excedente orçamental e uma dívida reduzida. A Itália tinha um alto nível de endividamento herdado das décadas de 1970 e 1980, quando era realmente irresponsável, mas estava a conseguir fazer baixar de forma progressiva o rácio do endividamento em relação ao PIB".
Krugman não é socialista, nem nada que se parece, e até defende a austeridade, mas não esta.

Implicitio

Quando diariamente leio (ou oiço) uma noticia, comentário, artigo ou mesmo um capítulo de algum livro, que considero relevantes sobre esta nação, sinto a necessidade de os partilhar, pelo menos de uma forma mais estruturada, menos self-service... Por vezes (se não na sua maioria) algumas das coisas que vou registando vão se diluindo na minha cabeça. Este blogue é uma extensão (e uma garantia) daquilo que não quero esquecer e gostaria de partilhar. Até logo!